Costumo dizer que os governantes e a máquina administrativa do Estado não são capazes de legislar de forma adequada sobre o Ensino Superior em Portugal, porque a Universidade de hoje é radicalmente diferente daquelas que eles frequentaram enquanto estudantes.

Existe, hoje, mais oferta instalada e muito menos procura. Existe forte concorrência regional, nacional e internacional por estudantes, professores e investigadores. Existe uma qualificação elevada de professores e investigadores. Doutoram-se mais pessoas num ano em Portugal hoje, do que numa década dos anos 80/90. O financiamento do Estado às universidades recuou para níveis de 2000, quando a actividade, em muitos dos casos, duplicou.

O grau de internacionalização não tem qualquer comparação com o que existia há uma década, tanto no ensino, como na investigação.

Boa parte das universidades públicas tem taxas de internacionalização nos estudantes acima dos 10%.

No nosso caso estamos acima dos 16% com uma diversidade de nacionalidade superior a 60 países. O ensino em língua inglesa em algumas áreas e cursos atinge hoje níveis perto dos 100%.

O sector foi dos poucos que conseguiu absorver o choque da crise, crescer e internacionalizar-se.

Estamos, porém, a chegar ao fim deste ciclo de sucesso basicamente por constrangimentos simultâneos.

Níveis de financiamento asfixiantes que impedem a retenção e a captação de quadros de excelência tanto nacionais como internacionais. Por exemplo, o Orçamento da Universidade de Oxford é maior que a dotação do Orçamento de Estado para todas as Universidades públicas.

Falta de autonomia a todos os níveis que impede a prática de uma gestão flexível e eficiente, tanto dos recursos humanos como financeiros, ou da captação de estudantes dado que os governantes e a máquina do Estado olham para as Universidades como se estas fossem direcções gerais ou instituto públicos não sujeitas à concorrência internacional.

 

Entrevista a Luís Reto ao Diário Económico (20131104), em http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/2013.11.04_DiarioEconomicob.pdf